fomos enxertados em salgueiro
temos raízes de bufarinheiro
proni ad pecatti...
Sangue de vinagre
odres em caves decrépitas
Skeleton Coast
Pero tú, que todo lo llenas, ¿lo llenas con la totalidad de ti?
Decrépitas aves no mezanino
O piso superior do Mac os adultos falando
dois indianos na mesma mesa
que uma russa quase cinquentona
e a sua bela filha comendo
um sundae de morango
a fluidez do molho vermelho
como as bochechas do bêbado indiano
como os meus pensamentos de púrpura e brocado
no verão passeio por praias esquecidas
pelas administrações com lava até aos joelhos
bebo margaritas como margaritas
até o céu da boca refluir nacarado
aos 22 comecei a usar sapatos bicudos
aos 22 senti vergonha de entrar no teu templo
aos 22 degluti as garanças e pintei o horizonte
de encarnado
lábios de púrpura exaustos
de púrpura
não mais uma saraivada de metais pesados
mas um enjoativo melotron
a morte duma consciência
Mário Mosca
25.3.09
23.3.09
Cátedras
passo a passo uma multidão de árvores insinua
ruas curvas de húmus e caruma
e estrelas entre densas tramas de ramos
da escuridão mais escura desagua
em enlutadas clareiras ao meio rubras
catedrais de pedra cátedras da lua
Lúcia
ruas curvas de húmus e caruma
e estrelas entre densas tramas de ramos
da escuridão mais escura desagua
em enlutadas clareiras ao meio rubras
catedrais de pedra cátedras da lua
Lúcia
Cão de Caça
Fiquei triste e melancólico
Convencido
De não ter correspondido
Aos sentimentos
Que provavelmente pensaste que eu teria.
E ainda agora choro
Se me ponho a recordar
Todas as vezes que não soube corresponder
Com o calibre certo de alegria ou
Entusiasmo que esperavam de mim.
Mas isto não é escrever que o bom
Cão de caça não corre movido pela fome.
Oh! Que vontade de te abraçar
Com mais força.
Lembra-me da próxima vez
Que nos virmos.
André Istmo
Convencido
De não ter correspondido
Aos sentimentos
Que provavelmente pensaste que eu teria.
E ainda agora choro
Se me ponho a recordar
Todas as vezes que não soube corresponder
Com o calibre certo de alegria ou
Entusiasmo que esperavam de mim.
Mas isto não é escrever que o bom
Cão de caça não corre movido pela fome.
Oh! Que vontade de te abraçar
Com mais força.
Lembra-me da próxima vez
Que nos virmos.
André Istmo
Definições
Quando misturo
Sentimentos de culpa
Com o pouco sono
Traço com mais tristeza
O desenho do desalento
E de estupidez inocente
Dos rostos do outro lado
Da estrada junto ao semáforo
Contemplo em contra-picado
Os tectos estucados
Dos palacetes vagamente moçárabes
Das avenidas quando volto dalgum trabalho
Acendem-se candeeiros aos centos
Acolhedores de memórias
De vidas quase sempre
Com vias pouco
Definidas
Filipe Elites
Sentimentos de culpa
Com o pouco sono
Traço com mais tristeza
O desenho do desalento
E de estupidez inocente
Dos rostos do outro lado
Da estrada junto ao semáforo
Contemplo em contra-picado
Os tectos estucados
Dos palacetes vagamente moçárabes
Das avenidas quando volto dalgum trabalho
Acendem-se candeeiros aos centos
Acolhedores de memórias
De vidas quase sempre
Com vias pouco
Definidas
Filipe Elites
Debaixo da Cartola
Não gostava que me prestassem a mesma atenção
Que a uma professora picuinhas e moralista
Que pensa que tem amigas
*
Custa-me dizer que me custa dizer aquilo que imagino
Que seja a verdade
*
Construímos uma casa debaixo da cartola
Uma sala com quadros de família
Uma mesa desarrumada
Onde recebemos os amigos
E a cada um servimos
A bagunça adequada
Mas temos vergonha que vejam
E toquem nossos naprons de moralidade
Tingido dum bafo de naftalina
Também não deixamos que se sentem na poltrona
Que jaz na sombra
O sol queima aos antepassados a réstia
Da alma sépia
Podes usar o cinzeiro de vidro grosso
Está rachado, é de família
*
Como cão bem sabes que como cão me contento
Com qualquer fogoso afago no cachaço
Lúcio Ferro
Que a uma professora picuinhas e moralista
Que pensa que tem amigas
*
Custa-me dizer que me custa dizer aquilo que imagino
Que seja a verdade
*
Construímos uma casa debaixo da cartola
Uma sala com quadros de família
Uma mesa desarrumada
Onde recebemos os amigos
E a cada um servimos
A bagunça adequada
Mas temos vergonha que vejam
E toquem nossos naprons de moralidade
Tingido dum bafo de naftalina
Também não deixamos que se sentem na poltrona
Que jaz na sombra
O sol queima aos antepassados a réstia
Da alma sépia
Podes usar o cinzeiro de vidro grosso
Está rachado, é de família
*
Como cão bem sabes que como cão me contento
Com qualquer fogoso afago no cachaço
Lúcio Ferro
Rebolo
Rebolo o disco de amolar boleia-me a alma
As moscas congelam no espaço
Infinitamente quadrado da tasca
E caem letárgicas sob os pontos do dominó
A noite côncava
O pio triste dos sapos
O latir desesperado dos cães
A monotonia dos pneus sobre o asfalto
Um muro escorre dor à sombra
dum lampião
Rebolo o disco de amolar boleia-me a alma
“Só dou pelas coisas belas da vida, depois
que passaram por mim e
não as posso ressuscitar”
Poeira da pedreira
Fino pó poalha
Excedente finíssimo
Fervilhante de secura
Que abafa e sufoca
Depositada nos brônquios
Rebolo o disco de amolar boleia-me a alma
Orlando Tango
As moscas congelam no espaço
Infinitamente quadrado da tasca
E caem letárgicas sob os pontos do dominó
A noite côncava
O pio triste dos sapos
O latir desesperado dos cães
A monotonia dos pneus sobre o asfalto
Um muro escorre dor à sombra
dum lampião
Rebolo o disco de amolar boleia-me a alma
“Só dou pelas coisas belas da vida, depois
que passaram por mim e
não as posso ressuscitar”
Poeira da pedreira
Fino pó poalha
Excedente finíssimo
Fervilhante de secura
Que abafa e sufoca
Depositada nos brônquios
Rebolo o disco de amolar boleia-me a alma
Orlando Tango
Rubor Desflora
Agora que podemos escrever em Março
nas auroras
se o rubor desflora
deixo as gélidas matutinas
dançarem na cela
enquanto o coração dança lá fora
o corpo aquece
o parapeito de granito
se o coração estremece
abro a janela
Madalena Nova
nas auroras
se o rubor desflora
deixo as gélidas matutinas
dançarem na cela
enquanto o coração dança lá fora
o corpo aquece
o parapeito de granito
se o coração estremece
abro a janela
Madalena Nova
6.2.09
Síndrome de Estocolmo
A remanescente utopia Copenhaga urbana
Labirintos nas amalgamas de ciclos
Manhãs enevoadas analisando o betão
Pozolanas, aditivos, margas
Afloramentos ferruginosos
Nemésio, Sena e Belo
Pagaste dois levaste três
Garçonettes pagas a bifes encharcados em alho
No beco das traseiras
O apaziguador esse grande arquitecto
Que domina a alma de cada criança
Vareja no meio a virtude
Entre potestades velhas glórias
Teremos nossos chás dançantes
Sobre a regra da Europa
Envoltas em napa sedes bacantes
À lareira de séculos atlânticos
Em Londres apoia a testa
Refastelado no Cáucaso
A corda foge do arco em tensão
Onde nos apoiamos o coração
Família Europa família sem mãos
Gravidade-electro-magnetismo-fortes-fracas-plasmas-bozões-z-w-itch
Poço-infinito-alto-forno-polo-aço-gusa-torpedo-escória
A minha mão os lábios o coração
Nascidos de novo dum vento novo
Dedos em gancho gravando o terreno
Segunda a nova ordem do padrão
Os lábios símbolo do recebido
E da entrega o desenho de sangue
Que sibila o sopro de vida
E infla um fogo flama infinda
O surto púrpura
Estéril de sal
Que aplaca seco
O irado clavicórnio
Desce condescendente
O mármore da verdade
Liguei-lhes a mesma importância que teriam
se fossem invisíveis a olho nu
“Porém ter feito em vez de não fazer
Isto não é vaidade
Ter, com decoro, batido
Que Blunt abrisse
Ter captado no ar a tradição mais viva
Ou de um belo olho velho a flama invicta
Isto não é vaidade.
Aqui a falha está em não ter feito,
Tudo na timidez que vacilou…”
Se bem que tu, que abriste as portas
Do primeiro círculo ao Alexandre
Saibas de gingeira que não é o espírito inflamado
Mas a carne insaciada
A fibra que apodrece na mortalha
Dos apóstatas
Orlando Tango
Labirintos nas amalgamas de ciclos
Manhãs enevoadas analisando o betão
Pozolanas, aditivos, margas
Afloramentos ferruginosos
Nemésio, Sena e Belo
Pagaste dois levaste três
Garçonettes pagas a bifes encharcados em alho
No beco das traseiras
O apaziguador esse grande arquitecto
Que domina a alma de cada criança
Vareja no meio a virtude
Entre potestades velhas glórias
Teremos nossos chás dançantes
Sobre a regra da Europa
Envoltas em napa sedes bacantes
À lareira de séculos atlânticos
Em Londres apoia a testa
Refastelado no Cáucaso
A corda foge do arco em tensão
Onde nos apoiamos o coração
Família Europa família sem mãos
Gravidade-electro-magnetismo-fortes-fracas-plasmas-bozões-z-w-itch
Poço-infinito-alto-forno-polo-aço-gusa-torpedo-escória
A minha mão os lábios o coração
Nascidos de novo dum vento novo
Dedos em gancho gravando o terreno
Segunda a nova ordem do padrão
Os lábios símbolo do recebido
E da entrega o desenho de sangue
Que sibila o sopro de vida
E infla um fogo flama infinda
O surto púrpura
Estéril de sal
Que aplaca seco
O irado clavicórnio
Desce condescendente
O mármore da verdade
Liguei-lhes a mesma importância que teriam
se fossem invisíveis a olho nu
“Porém ter feito em vez de não fazer
Isto não é vaidade
Ter, com decoro, batido
Que Blunt abrisse
Ter captado no ar a tradição mais viva
Ou de um belo olho velho a flama invicta
Isto não é vaidade.
Aqui a falha está em não ter feito,
Tudo na timidez que vacilou…”
Se bem que tu, que abriste as portas
Do primeiro círculo ao Alexandre
Saibas de gingeira que não é o espírito inflamado
Mas a carne insaciada
A fibra que apodrece na mortalha
Dos apóstatas
Orlando Tango
Árvores I
O tronco oco que cresce gordo e bichoso
de ventre carcomido
exala o cavername gangrenado
A aurora do eucalipto branco
Inventa gestos quase humanos
…gota a gota entre as gretas da fraga esgravatada
grutas onde tanto afaga a treva como a luz
rege castamente o eco o silêncio o medo
Arrepanha a raiz de um carvalho
músculos de terra
As folhas que perdem definição
Enevoa-se o rigor do traço
Os reflexos de todos os enxurros
Desaparecem como um cães vadios
No mofo denso do sórdido pardieiro
negro em pingos tristes brincos dos espinheiros
Alavancas de dor
Êmbolos de solidão
noites mais opressivas
Sob o arco das têmporas
Vergônteas de ambição
Curvam-se as videiras
Orlando Tango
de ventre carcomido
exala o cavername gangrenado
A aurora do eucalipto branco
Inventa gestos quase humanos
…gota a gota entre as gretas da fraga esgravatada
grutas onde tanto afaga a treva como a luz
rege castamente o eco o silêncio o medo
Arrepanha a raiz de um carvalho
músculos de terra
As folhas que perdem definição
Enevoa-se o rigor do traço
Os reflexos de todos os enxurros
Desaparecem como um cães vadios
No mofo denso do sórdido pardieiro
negro em pingos tristes brincos dos espinheiros
Alavancas de dor
Êmbolos de solidão
noites mais opressivas
Sob o arco das têmporas
Vergônteas de ambição
Curvam-se as videiras
Orlando Tango
Humores II
Um odre d’horas
Odre de vinho
Um barco de vinho
As trevas enchem as árvores de paciência
Se os brotes forçam o crescimento
Abóbadas de árvores
Livros de húmus
Livros de pedra
Nestes azuis
Vales de mosto
Que tarde amansa
O vinho e a noite
Sangram do exangue fruto
Talhas de verdade
Zé Chove
Odre de vinho
Um barco de vinho
As trevas enchem as árvores de paciência
Se os brotes forçam o crescimento
Abóbadas de árvores
Livros de húmus
Livros de pedra
Nestes azuis
Vales de mosto
Que tarde amansa
O vinho e a noite
Sangram do exangue fruto
Talhas de verdade
Zé Chove
Estatísticas #6
hecatombe, infolio, devastação, combustão,
húmus, murmúrio, aurora,
hausto chilreado, raízes, geada, líquenes, fungos, pinhas,
fibras, rácimos, sublimação,
vermes, quitina, mineralização, corola,
haste, caule, melro,
Rouxinol, morcego
Madalena Nova
húmus, murmúrio, aurora,
hausto chilreado, raízes, geada, líquenes, fungos, pinhas,
fibras, rácimos, sublimação,
vermes, quitina, mineralização, corola,
haste, caule, melro,
Rouxinol, morcego
Madalena Nova
Nostálgicas
Envoltas de terra
Vêem-se floridas
Adocicando a noite
Florescem entre a lama
Sufocam de vontade
O fruto é a nostalgia
Lúcia
Vêem-se floridas
Adocicando a noite
Florescem entre a lama
Sufocam de vontade
O fruto é a nostalgia
Lúcia
Humores I
A abóbada de chumbo gelado
Inspira o relento
O silêncio de pedra em pedra
É um rio gelado
Tronco oco
A terra que sustém a respiração
Nega o fruto
Escondida entre esteva e abrunhos ri-se
É um odre esquecido
Na gruta mais fria
Repleto de mosto novo
Zé Chove
Inspira o relento
O silêncio de pedra em pedra
É um rio gelado
Tronco oco
A terra que sustém a respiração
Nega o fruto
Escondida entre esteva e abrunhos ri-se
É um odre esquecido
Na gruta mais fria
Repleto de mosto novo
Zé Chove
As Feridas
as feridas vendadas
sem estarem curadas
gangrenam e matam
* * *
grado colhido o medo
já desmaiado do dia
entre abrolhos emersos
na dispersão da neblina
Zé Chove
sem estarem curadas
gangrenam e matam
* * *
grado colhido o medo
já desmaiado do dia
entre abrolhos emersos
na dispersão da neblina
Zé Chove
O Pânico
O pânico do navio
Encarcerado pela destreza
Brutal das ondas
Tão estrondoso é o
Tumulto que se diriam
Trombetas marchetando
Mar e céu numa amalgama de
Trevas e forças fluidas
Henrique
Encarcerado pela destreza
Brutal das ondas
Tão estrondoso é o
Tumulto que se diriam
Trombetas marchetando
Mar e céu numa amalgama de
Trevas e forças fluidas
Henrique
Na Pétrea Aurora
Na Pétrea Aurora sob
Ampla cavidade rochosa
Vigiando o oceano
Do lajedo encarcerado de
Barras de ferro enferrujado
Girava o húmido leão
Ensandecido
Esforçando-se por suplantar
Com seus rugidos o choro
Furioso do mar
Henrique
Ampla cavidade rochosa
Vigiando o oceano
Do lajedo encarcerado de
Barras de ferro enferrujado
Girava o húmido leão
Ensandecido
Esforçando-se por suplantar
Com seus rugidos o choro
Furioso do mar
Henrique
Em extenuados
em extenuados esteiros
desiguais os riachos tristes
correm obrigados pela gravidade das horas
Lúcia
desiguais os riachos tristes
correm obrigados pela gravidade das horas
Lúcia
3.2.09
Tiros de Sal
A sombra entranhou-se nas pedras.
Cadáveres de salitre
E bafiento granito
Abandonados em túmulos de silvas
Debruçada em curva fraternal
Sobre dois encurvados carvalhos
Alheado da morte
Jogando ébrio na pista rotineira
Das estações do ano
O Inverno, sacramental
Da noite imprime carácter
Zé Chove
Cadáveres de salitre
E bafiento granito
Abandonados em túmulos de silvas
Debruçada em curva fraternal
Sobre dois encurvados carvalhos
Alheado da morte
Jogando ébrio na pista rotineira
Das estações do ano
O Inverno, sacramental
Da noite imprime carácter
Zé Chove
Italianas #1
Quasimodo infantes…
Frammenti lirici
Poesia hermética – Ungaretti
Vita d’un uomo – Terra promessa
Eugénio Montale – male de vivere
Sentido mineral da vida
Frammenti lirici
Poesia hermética – Ungaretti
Vita d’un uomo – Terra promessa
Eugénio Montale – male de vivere
Sentido mineral da vida
McCullers
Laranja, sépia, antracite, verde
Inocência paixão amor fertilidade
Fungando as mangas do casaco
Third day malaria
Cross eyed
Mashed rootabeggars
Collard greens
O cheiro dos pessegueiros
Campos trimmados
Chain gang songs
Plow shaft
Furrows newly plowed
Midnight burial in the swamp
Barrancos argilosos
Balada do Café Triste, McCullers
Inocência paixão amor fertilidade
Fungando as mangas do casaco
Third day malaria
Cross eyed
Mashed rootabeggars
Collard greens
O cheiro dos pessegueiros
Campos trimmados
Chain gang songs
Plow shaft
Furrows newly plowed
Midnight burial in the swamp
Barrancos argilosos
Balada do Café Triste, McCullers
Alheiras de Piroclastos
Alheiras de piroclastos sociais
Coriscantes nas vascas da agonia
Dum verme meio-morto
Disformes bairros
Sem espinhas dorsais
Mário Mosca
Coriscantes nas vascas da agonia
Dum verme meio-morto
Disformes bairros
Sem espinhas dorsais
Mário Mosca
Pigmentos
Pigmentos tintas grossa
Terbentina óleo seco aspereza
Linhaça brilho centelha limite
Cerda ráfia
Telas mimesis
Tábua
Entardecer grimshaw
Frandosidade frágeis galhos
Natureza
Madalena Nova
Terbentina óleo seco aspereza
Linhaça brilho centelha limite
Cerda ráfia
Telas mimesis
Tábua
Entardecer grimshaw
Frandosidade frágeis galhos
Natureza
Madalena Nova
Roman Ingarden
Estratos de Roman Ingarden
seguindo os métodos da fenomenologia
de Husserl:
1 – Estrato fónico
2 – Unidades de sentido
3 – Ambiente
4 – Ponto de vista
5 – Qualidades metafísicas
seguindo os métodos da fenomenologia
de Husserl:
1 – Estrato fónico
2 – Unidades de sentido
3 – Ambiente
4 – Ponto de vista
5 – Qualidades metafísicas
Zenão
Ninguém tem dois filhos
E já nem o Zenão nos salva
Esquecemos a velha e eterna flecha
E leia nem um paradoxo nos salva
L’homme esi né poltron
Carla Corpete
E já nem o Zenão nos salva
Esquecemos a velha e eterna flecha
E leia nem um paradoxo nos salva
L’homme esi né poltron
Carla Corpete
Raio-X Organismo Decomposição
Dânticas aspirações de sonetos
Ocos como enquinados aquíferos
Com a leveza de grinaldas frásicas
Salada conceptual para a mesa 4
Com esfiapos de tordo-eremita
Que a dona L. resquenta e guarda na marmita
Turdus Aonalaschkae Pallasii
Na mesa ao lado um adónis dourado
Adornado de aromas melífluos
Expande o delirium tremens
Aos que não sofrem de sinusite
A cada garfada nova estocada seca
Nas costas de ex-alunos amigáveis
Lúcio Ferro
Ocos como enquinados aquíferos
Com a leveza de grinaldas frásicas
Salada conceptual para a mesa 4
Com esfiapos de tordo-eremita
Que a dona L. resquenta e guarda na marmita
Turdus Aonalaschkae Pallasii
Na mesa ao lado um adónis dourado
Adornado de aromas melífluos
Expande o delirium tremens
Aos que não sofrem de sinusite
A cada garfada nova estocada seca
Nas costas de ex-alunos amigáveis
Lúcio Ferro
25.1.09
Chelas
Bem me fica memorar-te Chelas
Como os amantes que ao perdê-las
Suas amantes desejam vê-las
Em mil reflexos de mil janelas
Filipe Elites
Como os amantes que ao perdê-las
Suas amantes desejam vê-las
Em mil reflexos de mil janelas
Filipe Elites
Cachões de Flores
Cachões de flores derramados muro abaixo fragrâncias
Esvoaçantes pássaros de mil cores tijolo e cimento escaldando
Ao sol de Agosto um pimento louro dum meio-dia de boca-cheia
De fontes refrescas frutas sopranas frutas como as brasas entre as grelhas
Sob o carvalho marcando o pino do céu esquecido do transcorrer das horas
Sonhando o aroma das estevas
Zé Chove
Esvoaçantes pássaros de mil cores tijolo e cimento escaldando
Ao sol de Agosto um pimento louro dum meio-dia de boca-cheia
De fontes refrescas frutas sopranas frutas como as brasas entre as grelhas
Sob o carvalho marcando o pino do céu esquecido do transcorrer das horas
Sonhando o aroma das estevas
Zé Chove
5.1.09
Litania
para Arvo Pärt
o tintinabulo súbito
pinga na nuca
faz ribombar a aragem
do temor de deus
réplica dum temor esquecido
que foge ventos fora
no ecoar do sino
Zé Chove
o tintinabulo súbito
pinga na nuca
faz ribombar a aragem
do temor de deus
réplica dum temor esquecido
que foge ventos fora
no ecoar do sino
Zé Chove
Carroçeiro
Guardar algo que vem do exterior
Na carroça do feno
Uma parte do reino
Qualquer observação
Parte daquela visão geral
Não um desejo mas quase uma teoria
Não procede a vida da visão
Vontade vista deslumbrante
Intelecto possível inflado
Em ascese de atrelado
Cavalgando desabrido
Reclinado sobre a palha
Distraído
Zé Chove
Na carroça do feno
Uma parte do reino
Qualquer observação
Parte daquela visão geral
Não um desejo mas quase uma teoria
Não procede a vida da visão
Vontade vista deslumbrante
Intelecto possível inflado
Em ascese de atrelado
Cavalgando desabrido
Reclinado sobre a palha
Distraído
Zé Chove
Nuvens e Rochedos - 2nd Round
Nuvens e rochedos
Infâncias outonais varridas de vento
E agressivas urzes
Eu por perto e tu tão dura
Forço por te alcançar no Inverno
Entre lamas revoltas
E o cheiro a chuva num céu tão cego
Sorris no verão mais solta e loira
Em feno de suave encosta
E cegas-me de sol e oiro
O fruto da primavera que rescende no teu dorso
É flecha vermelha liberta sobre a imensidão
Reflicto em onda e luz a escarpa do teu rosto
E estoiro
André Istmo
Infâncias outonais varridas de vento
E agressivas urzes
Eu por perto e tu tão dura
Forço por te alcançar no Inverno
Entre lamas revoltas
E o cheiro a chuva num céu tão cego
Sorris no verão mais solta e loira
Em feno de suave encosta
E cegas-me de sol e oiro
O fruto da primavera que rescende no teu dorso
É flecha vermelha liberta sobre a imensidão
Reflicto em onda e luz a escarpa do teu rosto
E estoiro
André Istmo
2.1.09
Cit #28 Joseph Conrad - Lord Jim
...a contemplarem com um brilho nos olhos o esplendor da vasta superfície que é apenas o reflezo dos seus olhares de fogo.
Em nenhum outro modo de vida está a ilusão mais afastada da realidade...
em nenhum outro é o começo uma ilusão tão perfeita... em nenhum outro é o desencanto mais rápido... a subjugação mais completa.
Em nenhum outro modo de vida está a ilusão mais afastada da realidade...
em nenhum outro é o começo uma ilusão tão perfeita... em nenhum outro é o desencanto mais rápido... a subjugação mais completa.
O Rumor
o rumor surdo das rodas
entre monturos valedos sem caminho
sem caminho e sem peso sem detenimento
o rumor surdo dum caminho
sem percurso sem rodas
o caminho de silêncio do pássaro
entre monturos valedos sem espaço
sem espaço e sem peso sem detenimento
o caminho de silêncio dum espaço
sem limites sem pássaro
Paulo Ovo
entre monturos valedos sem caminho
sem caminho e sem peso sem detenimento
o rumor surdo dum caminho
sem percurso sem rodas
o caminho de silêncio do pássaro
entre monturos valedos sem espaço
sem espaço e sem peso sem detenimento
o caminho de silêncio dum espaço
sem limites sem pássaro
Paulo Ovo
Hilemorfismo Cotidiano
o enter é transcendental da metafísica
no mínimo um co-princípio
para alguns um amen
assim seja
Lúcio Ferro
no mínimo um co-princípio
para alguns um amen
assim seja
Lúcio Ferro
Rio
rio rio no meio do rio
refrigério no centro do paul
trauteio
alheado do meu olhar
facas no figado
Diniz Giz
refrigério no centro do paul
trauteio
alheado do meu olhar
facas no figado
Diniz Giz
Terreno
escolheste esse terreno
conquistado às margens do rio
viceja com loucura no estio
rebenta em gretas no inverno
o solo macerado de aluvião
marcado na alma de lodo
é branda carne dum garoto
o barro em que moldas o coração
é o bastião em que assenta a vontade
a fortaleza jorra dum coração apaixonado
André Istmo
conquistado às margens do rio
viceja com loucura no estio
rebenta em gretas no inverno
o solo macerado de aluvião
marcado na alma de lodo
é branda carne dum garoto
o barro em que moldas o coração
é o bastião em que assenta a vontade
a fortaleza jorra dum coração apaixonado
André Istmo
1.1.09
Segredo
Um segredo como um barco velho
Preso e escondido entre uns juncais
Sempre com medo dos corvos rabugentos
Que vagueiam em círculos os baldios
Nem medo, nem lei, nem ruídos, nem olhos,
Nem mesmo os nossos, até ao nascer do sol
A sombra a sombra da loucura saída
Da sombra da morte sobre os vivos caída
Em todas as cidades chuva arrasta
Um cheiro de morgue ou de couves
Podres dos pântanos mal dragados
Orlando Tango
Preso e escondido entre uns juncais
Sempre com medo dos corvos rabugentos
Que vagueiam em círculos os baldios
Nem medo, nem lei, nem ruídos, nem olhos,
Nem mesmo os nossos, até ao nascer do sol
A sombra a sombra da loucura saída
Da sombra da morte sobre os vivos caída
Em todas as cidades chuva arrasta
Um cheiro de morgue ou de couves
Podres dos pântanos mal dragados
Orlando Tango
Enclave
Baclava – bolo tipo jesuíta
Balaclava – gorro que cobre toda a cabeça menos os olhos; bataclava
Balaclava – gorro que cobre toda a cabeça menos os olhos; bataclava
De Herodes
De Herodes
Estremecendo como a verde cana
Prostrado sob o teu brado
Aplanador
A plena dor
Vejo-te vires a mim
Sereis por ventura meu guarda
Meu irmão
Recolher-me, vaguear os desertos, de mim mesmo me vingar
Qual consolo
Talvez fechados de noite em cárceres lado a lado
Me reconforte ouvindo o teu sono
Lá fora oiço sobre o lajedo as asas de espadas
Do nosso anjo
André Istmo
Estremecendo como a verde cana
Prostrado sob o teu brado
Aplanador
A plena dor
Vejo-te vires a mim
Sereis por ventura meu guarda
Meu irmão
Recolher-me, vaguear os desertos, de mim mesmo me vingar
Qual consolo
Talvez fechados de noite em cárceres lado a lado
Me reconforte ouvindo o teu sono
Lá fora oiço sobre o lajedo as asas de espadas
Do nosso anjo
André Istmo
Escórias IV
I gloriosi nostri colori splenderanno sempre!
Sicut herbae
It’s hard to believe
When you only see
The backside of the tapestry
Believe
It’s all
Green
Green
Green
A chuva arrasta um cheiro de morgue
Ou de couves podres
Cantos vesperais
Os azedos da oxidada pedra
A pedra azeda
A lâmina de pedra azeda
Sob o rio óxido
A sombra de eternidade
Por fim liberta
Dir-se-á que mentia hoje a um santo
Façam-me reparos sem fundamento
Títeres úberes céleres
Orlando Tango
Sicut herbae
It’s hard to believe
When you only see
The backside of the tapestry
Believe
It’s all
Green
Green
Green
A chuva arrasta um cheiro de morgue
Ou de couves podres
Cantos vesperais
Os azedos da oxidada pedra
A pedra azeda
A lâmina de pedra azeda
Sob o rio óxido
A sombra de eternidade
Por fim liberta
Dir-se-á que mentia hoje a um santo
Façam-me reparos sem fundamento
Títeres úberes céleres
Orlando Tango
Sonho Bojudo
Sonho bojudo de seixo maduro
Até à superfície de vapor
Que o envolve em suma
No limite do seu esplendor
Nicolau Divan
Até à superfície de vapor
Que o envolve em suma
No limite do seu esplendor
Nicolau Divan
SPQR
Modorras post-prandiais
Reclinadas sobre os corpos
De pálpebras maceradas
Em delírios ambrosianos
Os espíritos fremem
Viandas imperiais, alcachofras
Corno gratinado, puré de ostras
No percurso inverso vertem
Ante o vomitório quem se prostra
Filipe Elites
Reclinadas sobre os corpos
De pálpebras maceradas
Em delírios ambrosianos
Os espíritos fremem
Viandas imperiais, alcachofras
Corno gratinado, puré de ostras
No percurso inverso vertem
Ante o vomitório quem se prostra
Filipe Elites
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Convento dos Capuchos
palmas das mãos nestas pedras de musgo afago o teu fôlego neste claustro oh Deus do fresco da capela me arrepia o teu sopro do teu cla...
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palmas das mãos nestas pedras de musgo afago o teu fôlego neste claustro oh Deus do fresco da capela me arrepia o teu sopro do teu cla...
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Esplende a manhã no clarim de ouro Na batalha quiasmo Figura composta de uma dupla antítese cujos termos se cruzam: É preciso comer para v...





