Peguei num tacho, pus o cansaço em lume brando.
Uma pitada de má vontade e duas folhinhas de inícios de gripe.
Mexi o caldo fétido sem me exaltar.
Bati os remorsos em castelo com uma lágrima de raiva.
O fumo exalado pela sopa provocou tonturas, dificuldades respiratórias,
sufoco na garganta, mas não me deixei chorar, teria sido fatal.
Deixei a incompreensão crescer e o rancor começou a borbulhar.
Nesta altura a cozinha estava cheia de fumo negro,
já só via o fogo escondido sob o tacho.
Cuspi na mistela algumas mentiras e estraçalhei algumas postas de orgulho.
Remexi tudo enjoado.
Pus a tampa na panela para não ver o triste esparregado.
Deixei o ódio apurar.
Deixei o líquido viscoso verter um pouco até tocar o fogo vivo.
O cheiro entranhou-se como malária doce.
Provei o contagiante aroma a escaldar.
Vou esperar para servi-lo frio.
Zé Chove
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esta receita ta linda!! adorei!!
ResponderEliminarMadalena
Isso é só mal nesse corpo...
ResponderEliminarQue violência!
ResponderEliminarDelicioso!
Bárbara