7.4.09

O Enxurro

Traz enxurro
Arrastou-se gordo pelas folhas adormecidas e pela lama

Murmúrio através dos tabiques

Romperam endemoninhados
Sepulcros fora
De calva e ventre gorduroso

videira solo arenoso
cepa na areia
a parra, o sarmento, o cacho

Silêncio e humidade até à medula
A muralha exala-se em bafo

O esboroar secular das rochas
O cheiro a floresta apodrecida
Vida secreta e vida subterrânea
Tabiques escafiados
Pardacentas salas
Atrás de salas
Labirintos cúbicos de decadência.

“Cobrindo o céu uma só nuvem do mesmo cinza
Desta desolada praça de granito, uma só árvore
A humidade substitui as sombras
Um só dia, uma só badalada cai do sino”

É hoje que virão para me abater
Oiço já os seus passos e as suas conspirações
Suspiradas nas escadas do prédio
Alma de pélago
Não me vou mexer
Varra-me o temporal

Orlando Tango

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