regatos de urzes abertos húmidos
de espinhosas rochas àguas lacrimejantes
mais loira sobre as escarpas
onde chapa o verão os estratos ósseos secos em pó
ordeno ao mar que te cinzele as pétreas omoplatas
prenhe da luz que cega o boi faminto
choro regatos gravetos vicejantes
André Istmo
23.12.08
Nuvens e Rochedos
Nuvens e rochedos
Infâncias outonais varridas de vento
E agressivas urzes
Eu por perto e tu tão dura
Forço por te alcançar no Inverno
Lamas revoltas
O cheiro a chuva o céu cego
Sorris no verão mais solta e loira
O feno da suave encosta
E cegas-me de sol e oiro
O fruto da primavera que rescende no teu dorso
É flecha vermelha liberta sobre a imensidão
Reflicto em onda e luz a escarpa do rosto
E estoiro
André Istmo
Infâncias outonais varridas de vento
E agressivas urzes
Eu por perto e tu tão dura
Forço por te alcançar no Inverno
Lamas revoltas
O cheiro a chuva o céu cego
Sorris no verão mais solta e loira
O feno da suave encosta
E cegas-me de sol e oiro
O fruto da primavera que rescende no teu dorso
É flecha vermelha liberta sobre a imensidão
Reflicto em onda e luz a escarpa do rosto
E estoiro
André Istmo
Recolho
Recolho ávida o feno
O molhe de calor
Entre tábuas sombras de fogo
Armazeno madrugadas
Se caem chaminés lentamente das casas
Melodias de ventos perdidos nos poços secos
Onde os recolho
Lúcia
O molhe de calor
Entre tábuas sombras de fogo
Armazeno madrugadas
Se caem chaminés lentamente das casas
Melodias de ventos perdidos nos poços secos
Onde os recolho
Lúcia
20.12.08
Restos de Metal
Restos de metal
Fagulhas de asas negras
Terra negra
Nas cavidades oculares da tua caveira
Metronomia chilreios
Lúcia
Fagulhas de asas negras
Terra negra
Nas cavidades oculares da tua caveira
Metronomia chilreios
Lúcia
Fantasmas de Albatorre
Separada da rua por um lençol
Os descendentes dos fugitivos envoltos
Num loop dolente rappavam noite fora
A angústia de várias gerações
Os fantasmas de Albatorre amaldiçoam
O pontão da Cova do Vapor
Separando, arrastando os corpos nas ondas do Atlântico
Enquanto afogam as almas nas águas verdinegras do Tejo
Se sentires um calafrio na espinha enquanto
Comes uma tainha em Porto
Brandão excusas de limpar os beiços e pagar a conta,
A tua alma já vagueia louca nos corredores do sanatório
28 de Maio.
P.S – O tecto do auditório dos bombeiros
da Trafaria é de corticite podre
Pintada em xadrez
[com estrelas nas casas pretas]
de relance parece uma bandeira
Dos USA gigante.
PS2-Joanna southcott
Et Ecce Terrae Motus
Rui Barbo
Os descendentes dos fugitivos envoltos
Num loop dolente rappavam noite fora
A angústia de várias gerações
Os fantasmas de Albatorre amaldiçoam
O pontão da Cova do Vapor
Separando, arrastando os corpos nas ondas do Atlântico
Enquanto afogam as almas nas águas verdinegras do Tejo
Se sentires um calafrio na espinha enquanto
Comes uma tainha em Porto
Brandão excusas de limpar os beiços e pagar a conta,
A tua alma já vagueia louca nos corredores do sanatório
28 de Maio.
P.S – O tecto do auditório dos bombeiros
da Trafaria é de corticite podre
Pintada em xadrez
[com estrelas nas casas pretas]
de relance parece uma bandeira
Dos USA gigante.
PS2-Joanna southcott
Et Ecce Terrae Motus
Rui Barbo
Os Arcos
Os arcos feitos das mesmas palavras
a pedra impiedosa que esmaga o corpo em silêncio
vês-te no homem forçando
o denso mato
arco sangue e espada
o anjo firme
prostrado o alento da terra
seco o peixe
oiço o assobio no quarto do meu
filho
Zé Chove
a pedra impiedosa que esmaga o corpo em silêncio
vês-te no homem forçando
o denso mato
arco sangue e espada
o anjo firme
prostrado o alento da terra
seco o peixe
oiço o assobio no quarto do meu
filho
Zé Chove
Desfibrilador, Cautério, Farpa
Difuminada cortina
Aveludada de charutos
Alarmes de vida
Surtos de púrpura
Alegres em ganga nos baldios
Mocassins e meias de algodão
- tens de tê-la toda
Fractais de isabelina telha
Jardins reais
Estátuas escarchadas embebidas pela relva
Choros em fonte
Na madrugada mais entediante
Tábuas e tábuas de charcutaria um pai autoritário
O fósforo cai no álcool
Chora chora
Lá fora
Escorrego de novo na areia
Doutra infância
Cristalizo num modernismo
De aço e gelo. Uma cítara o belo
Perdido eco balbuciante dolente pelos vales sem consolo
A noite volta a cair sobre o refeitório operário
Em surdina a maquinaria
De novo o sol desfibrilador, cautério, farpa
Enfado-me com tanta informação
A chuva uma voz uma correia de biciclete
Talvez um sino
E concerteza um navio que aproxima todos os dias
Orlando Tango
Aveludada de charutos
Alarmes de vida
Surtos de púrpura
Alegres em ganga nos baldios
Mocassins e meias de algodão
- tens de tê-la toda
Fractais de isabelina telha
Jardins reais
Estátuas escarchadas embebidas pela relva
Choros em fonte
Na madrugada mais entediante
Tábuas e tábuas de charcutaria um pai autoritário
O fósforo cai no álcool
Chora chora
Lá fora
Escorrego de novo na areia
Doutra infância
Cristalizo num modernismo
De aço e gelo. Uma cítara o belo
Perdido eco balbuciante dolente pelos vales sem consolo
A noite volta a cair sobre o refeitório operário
Em surdina a maquinaria
De novo o sol desfibrilador, cautério, farpa
Enfado-me com tanta informação
A chuva uma voz uma correia de biciclete
Talvez um sino
E concerteza um navio que aproxima todos os dias
Orlando Tango
Reviro
Reviro o óbvio
Disseco-te entre o espelho
E o ar
Gota a gota
Mais e mais próxima
Do fio
Junto ao pescoço
Manuel Bisnaga
Disseco-te entre o espelho
E o ar
Gota a gota
Mais e mais próxima
Do fio
Junto ao pescoço
Manuel Bisnaga
19.12.08
É Sopro
É sopro que se faz bolbo
E desponta em pétalas
Sussurros de rosa
De coração moldado ao espinho
Nicolau Divan
E desponta em pétalas
Sussurros de rosa
De coração moldado ao espinho
Nicolau Divan
Complexo Industrial
Carros amontoados
Amplas estradas de terra desolada
Terraplenos de camiões enferrujados
Escórias, pneus, amalgamas de armaduras
E as urzes que roturam o solo gretado
As chuvas em manancial de luz
Hidrografia enquinada
Pestilentos lodaçais lagartixas e rasteiros matagais destilando
O branco e vermelhos pardos da alta chaminé solitária
Maquinarias e altos fornos de silêncios
Betão cozido limalhas
Lamas negras, margas, parafusos calcinados
Alma complexo industrial obsoleto
O piar indecifrável dos pássaros
Mário Mosca
Amplas estradas de terra desolada
Terraplenos de camiões enferrujados
Escórias, pneus, amalgamas de armaduras
E as urzes que roturam o solo gretado
As chuvas em manancial de luz
Hidrografia enquinada
Pestilentos lodaçais lagartixas e rasteiros matagais destilando
O branco e vermelhos pardos da alta chaminé solitária
Maquinarias e altos fornos de silêncios
Betão cozido limalhas
Lamas negras, margas, parafusos calcinados
Alma complexo industrial obsoleto
O piar indecifrável dos pássaros
Mário Mosca
Ordálios?
Ordálios?
Que o indizível nos sobrevenha
E abafe o sólido choro
Algo terrível que nos ilibe de toda a culpa
Que emudeça a erva e nos impeça
A vontade
Per i morti reggio emília
Represálias – Sandálias
Comprovo que (deservo) mereço
Toda a dor todas essas dores
Não insisto mais na forma, desisto
Corta o ramo dum só golpe.
André Istmo
Que o indizível nos sobrevenha
E abafe o sólido choro
Algo terrível que nos ilibe de toda a culpa
Que emudeça a erva e nos impeça
A vontade
Per i morti reggio emília
Represálias – Sandálias
Comprovo que (deservo) mereço
Toda a dor todas essas dores
Não insisto mais na forma, desisto
Corta o ramo dum só golpe.
André Istmo
16.11.08
O Cerne do Pensamento
o cerne do pensamento é
a falésia arenítica além Tejo
sem aviso se esb'roa a meus olhos
sob o rio em cascata espumosa
dilui-se nas águas dos cacilheiros
e faz-se meu não como o estáter
encontrado e entregue na boca do peixe
mas outro Tejo fluindo sem substrato
navego nocturnas esquecidas águas
e se me ofusca noite alta um Bugio
do leito com rotina industrial
drago do Tejo areias pretéritas
entre friáticas neblinas do Rio
ergo em pensamento novas falésias
Lúcio Ferro
a falésia arenítica além Tejo
sem aviso se esb'roa a meus olhos
sob o rio em cascata espumosa
dilui-se nas águas dos cacilheiros
e faz-se meu não como o estáter
encontrado e entregue na boca do peixe
mas outro Tejo fluindo sem substrato
navego nocturnas esquecidas águas
e se me ofusca noite alta um Bugio
do leito com rotina industrial
drago do Tejo areias pretéritas
entre friáticas neblinas do Rio
ergo em pensamento novas falésias
Lúcio Ferro
Escórias III
vagidos opalinos de outrora
soam agora sinos do incerto
indexei a criação montei um universo paralelo
Razão tinha o crato o prior
mas é ingrato será melhor
Orlando Tango
soam agora sinos do incerto
indexei a criação montei um universo paralelo
Razão tinha o crato o prior
mas é ingrato será melhor
Orlando Tango
Boletim Meteorológico
vi um torvelinho de paquidermes
em ventania repisando o céu
nuvens elefantinas em manadas
bramindo as árvores com trombas de água
Filipe Elites
em ventania repisando o céu
nuvens elefantinas em manadas
bramindo as árvores com trombas de água
Filipe Elites
Urbanidade
relaxo com os screensavers dos
pcs na sala com a luz fechada
passeio entre os carros estacionados
no parque da universidade
nos países frios fazem música alegre
talvez diminuam os suicídios
quanto mais asséptico o espaço mais
abjecta a intrusão da natureza
a centopeia no lençol, a cobra na sanita,
o escorpião na alcova da criança
Paulo Ovo
pcs na sala com a luz fechada
passeio entre os carros estacionados
no parque da universidade
nos países frios fazem música alegre
talvez diminuam os suicídios
quanto mais asséptico o espaço mais
abjecta a intrusão da natureza
a centopeia no lençol, a cobra na sanita,
o escorpião na alcova da criança
Paulo Ovo
Deleitado
deleitado na líquida dispersão
da multidão diluída no aluvião
da população que é mais gente
mais povo são corpos e corpos escorrendo
num licor de prata luminoso
que suga as sombras, indivíduos torrentes
de humanidade o exagero minguado o espaço
infinito em ondas de pessoas onde mergulho
na multidão na turba no mar humano
e eu mesmo sou a prata que tudo envolve
e banha afago o infinito trespasso
o infinito em multiplicação do sumo
Rui Barbo
da multidão diluída no aluvião
da população que é mais gente
mais povo são corpos e corpos escorrendo
num licor de prata luminoso
que suga as sombras, indivíduos torrentes
de humanidade o exagero minguado o espaço
infinito em ondas de pessoas onde mergulho
na multidão na turba no mar humano
e eu mesmo sou a prata que tudo envolve
e banha afago o infinito trespasso
o infinito em multiplicação do sumo
Rui Barbo
13.11.08
Escórias II
Cansa-te a repetição
A repetição
Estás cansado da repetição?
Sumério binário
Minério sumário
Refrigério bário
Estério armário
Deleutério dromedário
Sério salafrário
O contacto gera identidade
A criança ao leite materno
O fruto ao pássaro
Levei as palavras a pastar
Na carpete cartesiana os dois no futuro
Abstenho-me do sono em fogo lento
Ao prenúncio de vinho no teu lábio
Esquemática paixão conjuro
Orlando Tango
A repetição
Estás cansado da repetição?
Sumério binário
Minério sumário
Refrigério bário
Estério armário
Deleutério dromedário
Sério salafrário
O contacto gera identidade
A criança ao leite materno
O fruto ao pássaro
Levei as palavras a pastar
Na carpete cartesiana os dois no futuro
Abstenho-me do sono em fogo lento
Ao prenúncio de vinho no teu lábio
Esquemática paixão conjuro
Orlando Tango
Descriptione
Avançou para mim um caniche em cada trela
Bufando com os olhos semicerrados pelo fumo do tabaco
Desviei-me do penteado de refogado
Engolindo o sorriso pelas calças de fato-de-treino
Maior o porte mais cilíndricos os membros inferiores
A minha vizinha caminha sobre
Dois chorições de Veneza onde despontam
Dez unhitas de vermelho Ferrari
A fina flor de Albatorre
Rui Barbo
Bufando com os olhos semicerrados pelo fumo do tabaco
Desviei-me do penteado de refogado
Engolindo o sorriso pelas calças de fato-de-treino
Maior o porte mais cilíndricos os membros inferiores
A minha vizinha caminha sobre
Dois chorições de Veneza onde despontam
Dez unhitas de vermelho Ferrari
A fina flor de Albatorre
Rui Barbo
Estações
Capacete justo de nuvens
Iluminado pelos lampiões nocturnos
Vicia a noção do espaço
É opressivo
As têmporas sem saber latejam
Por um trovão
E o rego húmido das costas
Marca a transição
Entre o Verão e a Primavera
Ou será o Outono
Espera
Só encontro entusiasmo
Nos excessos
Diniz Giz
Iluminado pelos lampiões nocturnos
Vicia a noção do espaço
É opressivo
As têmporas sem saber latejam
Por um trovão
E o rego húmido das costas
Marca a transição
Entre o Verão e a Primavera
Ou será o Outono
Espera
Só encontro entusiasmo
Nos excessos
Diniz Giz
10.11.08
E se os muros
E se os muros se abatem sobre rio
E se os muros
E se os muros se abatem
Arrasta caudaloso a terra
Onde mordem as árvores
Zé Chove
E se os muros
E se os muros se abatem
Arrasta caudaloso a terra
Onde mordem as árvores
Zé Chove
Bala
Deliro com a estridência fiérica
Do porco, o grasnar das correias
de transmissão, o balir gerúndico das cabras
o pânico apoteótico do cavalo
a chuva púrpura ferve nos olhos
a brisa do rio esfaqueia a carne nua
e nem a morna lua
me em-
bala
Mário Mosca
Do porco, o grasnar das correias
de transmissão, o balir gerúndico das cabras
o pânico apoteótico do cavalo
a chuva púrpura ferve nos olhos
a brisa do rio esfaqueia a carne nua
e nem a morna lua
me em-
bala
Mário Mosca
Rebite
O céu tingido de iodo enferma
Prédios, pessoas
Filme em Pal-olhos semi-adoentados
Todo o dia passando facturas
Por cada rebite aplicado
Renego
Repete
Renego
Avio mais martelada
Neste rebite se repete
Diniz Giz
Prédios, pessoas
Filme em Pal-olhos semi-adoentados
Todo o dia passando facturas
Por cada rebite aplicado
Renego
Repete
Renego
Avio mais martelada
Neste rebite se repete
Diniz Giz
8.11.08
Naufrágios
Lares-destroços, mares-equinócios
ondas em sentido contrário
o equilíbrio vivo sobre um eixo rotário
enjoo vomitado o vinho ambrósio
e o petiz de fraque no cesto da gávea
Vagalhões sulcados a bombordo
da infante ignora nau
esfaimadas rochas a estibordo
que a quilha de conchas destroça
em vómitos de mareada náusea
Perdida nos cais vagueia a história:
“Esfiampados na praia jazem os mastros
os tesouros nas covas do mar”
Dos portos de abrigo sem memória
partem os marinheiros solitários
Nicolau Divan
ondas em sentido contrário
o equilíbrio vivo sobre um eixo rotário
enjoo vomitado o vinho ambrósio
e o petiz de fraque no cesto da gávea
Vagalhões sulcados a bombordo
da infante ignora nau
esfaimadas rochas a estibordo
que a quilha de conchas destroça
em vómitos de mareada náusea
Perdida nos cais vagueia a história:
“Esfiampados na praia jazem os mastros
os tesouros nas covas do mar”
Dos portos de abrigo sem memória
partem os marinheiros solitários
Nicolau Divan
Rosa do Calcário
Desamparado de dentes arreganhados
Ao marfim aparelhado do passeio
Bonk a gengiva em viva carne
Os veios rosa do calcário vermelhos
Brás
Ao marfim aparelhado do passeio
Bonk a gengiva em viva carne
Os veios rosa do calcário vermelhos
Brás
Aditamentos Diferidos #6
Enfartes à la carte
Ubíquas de aprender a
desenhar de olhos fechados
transmutações de luz os gravetos
antes do mei-da-manhã essa miseri
cordiosa sandes de paté fuagrá
espasmódicos lençóis húmidos de sangue
espantados folhos de camisa
a devastação das folhas
a falha na folha
obnóxio, óxido
concomitâncias sonegadas
Salgando ao sol
Molhos de folhas, folhas aos molhos
Ubíquas de aprender a
desenhar de olhos fechados
transmutações de luz os gravetos
antes do mei-da-manhã essa miseri
cordiosa sandes de paté fuagrá
espasmódicos lençóis húmidos de sangue
espantados folhos de camisa
a devastação das folhas
a falha na folha
obnóxio, óxido
concomitâncias sonegadas
Salgando ao sol
Molhos de folhas, folhas aos molhos
6.11.08
OrKiz
Orchis is a genus in the orchid family (Orchidaceae)
this genus gets its name from the Greek orchis,
meaning "testicle", from the appearance of the paired
subterranean tuberoids
Testigos testemunhos
Orchidaceae or Orchid family is the largest family
of the flowering plants Angiospermae
It's name is derived from the genus Orchis
Exorcism (from Late Latin exorcismus
from Greek exorkizein - to adjure)
is the practice of evicting demons or other evil spiritual
entities from a person or place
which they are believed to have possessed
the practice is quite ancient and part of the belief
system of many countries
Ex-conjuro conjuro com juro juro
fitei detidamente o endemoninhado
dos olhos macerados
numa antiga fotografia gasta do youtube.
calmamente.
como deveria amar o seu exorcista...
Tinha uma presença clínica ou farmacológica
das antigas farmácias com altas estantes escuras
onde o ar é asséptico e tudo é são
Levantei o auscultador do telefone
e ouvi a minha voz aqui há uns anos
insisti...diga, diga
Uma orquídea enorme encheu-me a sala de medo
Lúcio Ferro
this genus gets its name from the Greek orchis,
meaning "testicle", from the appearance of the paired
subterranean tuberoids
Testigos testemunhos
Orchidaceae or Orchid family is the largest family
of the flowering plants Angiospermae
It's name is derived from the genus Orchis
Exorcism (from Late Latin exorcismus
from Greek exorkizein - to adjure)
is the practice of evicting demons or other evil spiritual
entities from a person or place
which they are believed to have possessed
the practice is quite ancient and part of the belief
system of many countries
Ex-conjuro conjuro com juro juro
fitei detidamente o endemoninhado
dos olhos macerados
numa antiga fotografia gasta do youtube.
calmamente.
como deveria amar o seu exorcista...
Tinha uma presença clínica ou farmacológica
das antigas farmácias com altas estantes escuras
onde o ar é asséptico e tudo é são
Levantei o auscultador do telefone
e ouvi a minha voz aqui há uns anos
insisti...diga, diga
Uma orquídea enorme encheu-me a sala de medo
Lúcio Ferro
20.10.08
15.10.08
Fracturantes I
o oboé titubeante rua abaixo
urgência demiúrgica do barbitúrico
a transmissão pré-sinática inibída
o conforto do sistema nervoso central
flashes assépticos convulsos de sangue e soro
a taquicardia surda branco pânico
amnésia do presente vivida no futuro
buzinas precipitação quedas e feridas
vituperina aguda dor rediviva
catéteres revulsivos ácidas artérias
o desprendimento total do corpo-abcesso
o coma sorvido com sofreguidão
Orlando Tango
urgência demiúrgica do barbitúrico
a transmissão pré-sinática inibída
o conforto do sistema nervoso central
flashes assépticos convulsos de sangue e soro
a taquicardia surda branco pânico
amnésia do presente vivida no futuro
buzinas precipitação quedas e feridas
vituperina aguda dor rediviva
catéteres revulsivos ácidas artérias
o desprendimento total do corpo-abcesso
o coma sorvido com sofreguidão
Orlando Tango
13.10.08
Agraços Olhos
Agraços olhos sobre os lavradios
ensombram antes da noite os vinhedos
afagam seus dedos de morte frios
os infantes frutos imóveis de medo
serpenteia negro o suor pelos regos
em oclusas levadas de silêncio
envenenando a sede de loucas cepas
as filhas de uma estúpida inocência
Esse fogo tocado com o olhar
não esmorece e decepa os sarmentos
com a inércia em queda milenar
Oh cinza não reveles os seus passos
liberte-se a chuva em pensamentos
amargos e chorem os verdes agraços
Zé Chove
ensombram antes da noite os vinhedos
afagam seus dedos de morte frios
os infantes frutos imóveis de medo
serpenteia negro o suor pelos regos
em oclusas levadas de silêncio
envenenando a sede de loucas cepas
as filhas de uma estúpida inocência
Esse fogo tocado com o olhar
não esmorece e decepa os sarmentos
com a inércia em queda milenar
Oh cinza não reveles os seus passos
liberte-se a chuva em pensamentos
amargos e chorem os verdes agraços
Zé Chove
Herberto Helder – A cabeça entre as mãos
(…)
Ou no poema
a parte fêmea instrumentada pela
magnificência,
O que nele se talha
em som escrito : órgão,
mão que revolves a substância primordial,
Barro
fundamento, Que hausto atenda à força
respirada
pela carne em poder,
O nó
coronário de uma estrela,
Peso e melancolia
da riqueza
e do medo, E que me assome Deus às partes
graves : com sua luva súbita
no abismo,
É ao meu nome que regresso : à ameaça,
A limpidez
atravessa-me pelos furos naturais
ardidos,
Entra um astro
por mim dentro :
faz-me potência e dança,
Que toda a noite do mundo te torne humana :
obra
(ps:não consigo formatar o poema)
Ou no poema
a parte fêmea instrumentada pela
magnificência,
O que nele se talha
em som escrito : órgão,
mão que revolves a substância primordial,
Barro
fundamento, Que hausto atenda à força
respirada
pela carne em poder,
O nó
coronário de uma estrela,
Peso e melancolia
da riqueza
e do medo, E que me assome Deus às partes
graves : com sua luva súbita
no abismo,
É ao meu nome que regresso : à ameaça,
A limpidez
atravessa-me pelos furos naturais
ardidos,
Entra um astro
por mim dentro :
faz-me potência e dança,
Que toda a noite do mundo te torne humana :
obra
(ps:não consigo formatar o poema)
O Solitário...
O solitário piano chove sobre
um para-peito dum prédio cinzento
o lampião de madrugada cobre
de vastidão a rua sem movimento
cadencio os passos ao som do piano
esfumando a neblina à beira do lago
silentes passos através do espaço
misterioso hino holderliniano
entre a profusão de verdes-castanhos
dum triste e pardacento sfumato
sorriem as sementes das magnólias
do nevoeiro é parido o sol e as
notas alegres pingam do piano
quando o peito pressente o ser amado
Lúcio Ferro
um para-peito dum prédio cinzento
o lampião de madrugada cobre
de vastidão a rua sem movimento
cadencio os passos ao som do piano
esfumando a neblina à beira do lago
silentes passos através do espaço
misterioso hino holderliniano
entre a profusão de verdes-castanhos
dum triste e pardacento sfumato
sorriem as sementes das magnólias
do nevoeiro é parido o sol e as
notas alegres pingam do piano
quando o peito pressente o ser amado
Lúcio Ferro
#13
derrama-se o espírito sobre a mesa em
querosene deliciado nos veios da tábua de pinheiro
manso alinhado nas desertas avenidas que só
falam da solidão do coração
Paulo Ovo
querosene deliciado nos veios da tábua de pinheiro
manso alinhado nas desertas avenidas que só
falam da solidão do coração
Paulo Ovo
A delicadeza
A delicadeza extrema da flor-princesa e
a rectidão da pinha em queda
são fragmentos cansados reflexos que o
rio recolhe e estrafega
Lúcia
a rectidão da pinha em queda
são fragmentos cansados reflexos que o
rio recolhe e estrafega
Lúcia
XXX
Só em contra-luz…
vislumbro os seus reflexos
na cadência manuseada
dos negativos cinemáticos
de memórias desconexas
Filipe Elites
vislumbro os seus reflexos
na cadência manuseada
dos negativos cinemáticos
de memórias desconexas
Filipe Elites
10.10.08
Cesáreas II
as trapeiras ao céu imploram com olhos tristes
furtadas nas águas sombrias dos telhados
almas esquecidas de pobres e humilhados
choram de noite o Tejo em desempregados gemidos
Filipe Elites
furtadas nas águas sombrias dos telhados
almas esquecidas de pobres e humilhados
choram de noite o Tejo em desempregados gemidos
Filipe Elites
exercize in the key of g
ligas ao que digo
sugere-te algo
desliga larga o lógico
aguarda a languidez do lago
ajoelha junto à água
calma
o álgido rigor do gelo
emerge agora
ouves agora
era um gemido
Lúcia
sugere-te algo
desliga larga o lógico
aguarda a languidez do lago
ajoelha junto à água
calma
o álgido rigor do gelo
emerge agora
ouves agora
era um gemido
Lúcia
Cit #15
escalracho, erva-pata, moléstia negra,
o charbon, a filoxera
preguiçosa saia
as gordas mercearias
os delirios mornos
prédios macilentos
cor monótona e londrina
sinos dum tanger monástico e devoto
cheiro salutar a pão no forno
contudo, nós não temos na fazenda
nem uma planta só de mero ornato!
cada pé mostra-se útil, é sensato,
por mais finos aromas que rescenda
Cesário Verde
o charbon, a filoxera
preguiçosa saia
as gordas mercearias
os delirios mornos
prédios macilentos
cor monótona e londrina
sinos dum tanger monástico e devoto
cheiro salutar a pão no forno
contudo, nós não temos na fazenda
nem uma planta só de mero ornato!
cada pé mostra-se útil, é sensato,
por mais finos aromas que rescenda
Cesário Verde
il cuore e la libertà
se nada determina o poema
se não há uma rotina
uma vontade forte um esquema
sobrevirá a tirana rotina
de il cuore e la libertà enferma
André Istmo
se não há uma rotina
uma vontade forte um esquema
sobrevirá a tirana rotina
de il cuore e la libertà enferma
André Istmo
12RB8ª678
um frade meu freguês
compra fruta e fio de arame
prefere pagar a pronto
à minha oferta à Madre Igreja
aparece em setembro
com dia e hora marcada
a mesma mercadoria
sempre
Filipe Elites
compra fruta e fio de arame
prefere pagar a pronto
à minha oferta à Madre Igreja
aparece em setembro
com dia e hora marcada
a mesma mercadoria
sempre
Filipe Elites
Eu à beira da marca amarela do metro e tu
trespassas a turba
em passada curta e hirta
nada te perturba altiva
de olhar que morde
um drapejo que mal te cobre
nos lábios um baton alegre
num sorriso marca d'água
de quem sofre
Filipe Elites
em passada curta e hirta
nada te perturba altiva
de olhar que morde
um drapejo que mal te cobre
nos lábios um baton alegre
num sorriso marca d'água
de quem sofre
Filipe Elites
Cesáreas I
ajoelhada no saguão
num recanto húmido
entre humores de podridão
recolhes a fatigada roupa
que o vento roubou
às molas do estendal
tão fracas. tão estafada
do som enxuto das varjeiras
se cai como morto mais um lençol
agacha-te lavadeira
Diniz Giz
num recanto húmido
entre humores de podridão
recolhes a fatigada roupa
que o vento roubou
às molas do estendal
tão fracas. tão estafada
do som enxuto das varjeiras
se cai como morto mais um lençol
agacha-te lavadeira
Diniz Giz
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