Pancadaria entre Anjos e demónios
13.12.07
Thunder Underground
Soterrado
Asfixia mórbida
Ao mofo identificado
angústia permanente indefinida
pulmões opressos
e boca cheia de terra
estagnado entre matéria
sem progresso
cada pazada do coveiro
ribomba, faz trepidar o corpo
ânsias de laje, anseio
viver vida de morto
Zé Chove
Asfixia mórbida
Ao mofo identificado
angústia permanente indefinida
pulmões opressos
e boca cheia de terra
estagnado entre matéria
sem progresso
cada pazada do coveiro
ribomba, faz trepidar o corpo
ânsias de laje, anseio
viver vida de morto
Zé Chove
Azeite com alho picado e ervas aromáticas
Gregos e cipriotas
refugados balsâmicos
sol refulgenta minaretes islâmicos
bazares negócios poliglotas
entre refúgios balcânicos
mulheres gritando nas lotas
sol brilhando nos homens nas frotas
enseadas paraísos mediterrânicos
Lúcia
refugados balsâmicos
sol refulgenta minaretes islâmicos
bazares negócios poliglotas
entre refúgios balcânicos
mulheres gritando nas lotas
sol brilhando nos homens nas frotas
enseadas paraísos mediterrânicos
Lúcia
State of Things
Extirpados pela faca romba do estado
bolsos e ânimos rotos
dois vultos para cada lado.
Horas e horas às escuras
No café. Fechado. Na penumbra
desfocando os transeuntes
lá fora o frio das geleiras
e as borras frias
entumescidas no cinzeiro
cornetas fogosas de orgulho ferido
memórias a dois sem trilho
dissipadas nas neblinas da floresta
passos solitários penando o troço que resta.
André Istmo
bolsos e ânimos rotos
dois vultos para cada lado.
Horas e horas às escuras
No café. Fechado. Na penumbra
desfocando os transeuntes
lá fora o frio das geleiras
e as borras frias
entumescidas no cinzeiro
cornetas fogosas de orgulho ferido
memórias a dois sem trilho
dissipadas nas neblinas da floresta
passos solitários penando o troço que resta.
André Istmo
Atmosferas #1
Tópicos de Consulta
- Gazes Soporíferos
- Erros no Sistema
- Treblinka
- Senhoritas
- Aberta Zona de Vírus
- Morte Lenta
- Regresso ao Dentista
- Top-Top
- Morsas Lavajonas
- Cães Sarnosos
- A Administração
Madalena
A palavra Madalena
tem um volume na boca
equivalente ao de banana
ou anona.
Os enes e os às juntos
dão à palavra uma textura
branda mas com alguma consistência
uma carnosidade que se desfaz
entre a língua e o céu da boca
“pomo franco”
que permanece firme
mas que um bebé esmaga
com manitas almofadadas.
Além disso é doce.
Nicolau Divan
tem um volume na boca
equivalente ao de banana
ou anona.
Os enes e os às juntos
dão à palavra uma textura
branda mas com alguma consistência
uma carnosidade que se desfaz
entre a língua e o céu da boca
“pomo franco”
que permanece firme
mas que um bebé esmaga
com manitas almofadadas.
Além disso é doce.
Nicolau Divan
Pricípio Modernista
Verticalistas
arcadas de progresso
ventanias
70 nós de vento fresco
incontinente
Betão decrépito
urinou ferrugem
cenário psicadélico
.....depois acabo o que falta....
Filipe Elites
arcadas de progresso
ventanias
70 nós de vento fresco
incontinente
Betão decrépito
urinou ferrugem
cenário psicadélico
.....depois acabo o que falta....
Filipe Elites
10.12.07
7.12.07
Alma Penada
Foi condenado
a viver encarcerado
numa conduta metálica
de ar condicionado
na antiga fábrica
Despojo total
Dor infligida sem igual
anos e anos de escuridão
frio e ardor infernal
espírito trefilado à solidão
Lúcio Ferro
a viver encarcerado
numa conduta metálica
de ar condicionado
na antiga fábrica
Despojo total
Dor infligida sem igual
anos e anos de escuridão
frio e ardor infernal
espírito trefilado à solidão
Lúcio Ferro
Quilhado
Embora não tenhas pedido
não te faltam temas
tens sido analisado em todas as direcções
tás farto do álcool
em todos as feridas
O cérebro enfaixado
queijinho morno e amanteigado
melodias e visões queridas
não o deixam extravasar
Tarefas
Nem pensar nelas
Esconde as chaves
amortalha os teus enigmas
Nicolau Divan
não te faltam temas
tens sido analisado em todas as direcções
tás farto do álcool
em todos as feridas
O cérebro enfaixado
queijinho morno e amanteigado
melodias e visões queridas
não o deixam extravasar
Tarefas
Nem pensar nelas
Esconde as chaves
amortalha os teus enigmas
Nicolau Divan
Os Porcos
Todos os porcos
comemos da mesma malga
foçando todos à uma
com estrépito e fúria
confusão de corpos
grunhidos
estardalhaço e rebelião
sombra densa da pocilga
um suíno abrutalhado
esfacelou duma tranchada
meu focinho
gritei como um humano
o sangue jorrou escuro e quente
empapando a ração
toda a vara em alvoroço
vibrou gulosa
varada com o sabor do sangue
e lançou-se em estrepitosa cavalgada
sobre o meu corpo estarrecido
gritei apavorado como um homem
Zé Chove
comemos da mesma malga
foçando todos à uma
com estrépito e fúria
confusão de corpos
grunhidos
estardalhaço e rebelião
sombra densa da pocilga
um suíno abrutalhado
esfacelou duma tranchada
meu focinho
gritei como um humano
o sangue jorrou escuro e quente
empapando a ração
toda a vara em alvoroço
vibrou gulosa
varada com o sabor do sangue
e lançou-se em estrepitosa cavalgada
sobre o meu corpo estarrecido
gritei apavorado como um homem
Zé Chove
Good Vibrations
Sun is shining, the weather is sweet
Yeah! Toma carraspana
Dormir na praia
dia em delírio
misturando os sonhos
de areia e mar
Sun is shining
lift our heads and give jah praises
Make you want to move your dancing feet
As Cadências de Verão
Preocupações evaporadas
To the rescue, here i am
y'all, where i stand
Vozes alegres Yeah
(rewind)
de novo a doce melodia
tonturas paradisíacas
junto ao pontão
i'm a rainbow too
chuca-chuk chuca-chuk
corpos langorosos
moldados ao areal
o calor e os cheiros
rochas banhadas pelo mar
o carvão, o creme solar
(monday morning) here i am
Want you to know just if you can
(tuesday evening) where i stand
(wenesday morning)Tell myself a new day is rising
Mário Mosca
Yeah! Toma carraspana
Dormir na praia
dia em delírio
misturando os sonhos
de areia e mar
Sun is shining
lift our heads and give jah praises
Make you want to move your dancing feet
As Cadências de Verão
Preocupações evaporadas
To the rescue, here i am
y'all, where i stand
Vozes alegres Yeah
(rewind)
de novo a doce melodia
tonturas paradisíacas
junto ao pontão
i'm a rainbow too
chuca-chuk chuca-chuk
corpos langorosos
moldados ao areal
o calor e os cheiros
rochas banhadas pelo mar
o carvão, o creme solar
(monday morning) here i am
Want you to know just if you can
(tuesday evening) where i stand
(wenesday morning)Tell myself a new day is rising
Mário Mosca
Anthologia de Textículos #3
A Leste do Paraíso / John Steinbeck
"Ao monstro, o normal deve parecer monstruoso, visto que tudo é normal para ele. E para aquele cuja monstruosidade é apenas interior, o sentimento deve ser ainda mais difícil de analisar, visto que nenhuma tara visível lhe permite comparar-se aos outros. Para o homem nascido sem consciência, o homem torturado deve parecer ridículo. Para o ladrão, a honestidade não é mais que fraqueza. Não esqueçam que o monstro não passa de uma variante e que, aos olhos do monstro, o normal é monstruoso."
25ª Hora / Virgil Gheorghiu
"«A vida nunca tem um fim objectivo, a não ser que assim se chame à morte: todo o fim real e verdadeiro é subjectivo». A Sociedade Técnica Ocidental quer oferecer à vida um fim objectivo. É a melhor maneira de a aniquilar. Reduziram a vida a uma estatística. Mas.: «Toda a estatística deixa escapar o caso único no seu género, e quanto mais a humanidade evolui, tanto mais será a unicidade de cada indivíduo e de cada caso particular que contará». A Sociedade Técnica progride exactamente no sentido inverso: generaliza tudo. «Foi à força de generalizar e de investigar, ou de colocar todos os valores no que é geral, que a humanidade ocidental perdeu todo o sentido dos valores do único, e, por consequência, da existência individual. Dai o imenso perigo do colectivismo, quer seja compreendido à russa ou à americana»."
«»Conde H. De Keyserling
"Ao monstro, o normal deve parecer monstruoso, visto que tudo é normal para ele. E para aquele cuja monstruosidade é apenas interior, o sentimento deve ser ainda mais difícil de analisar, visto que nenhuma tara visível lhe permite comparar-se aos outros. Para o homem nascido sem consciência, o homem torturado deve parecer ridículo. Para o ladrão, a honestidade não é mais que fraqueza. Não esqueçam que o monstro não passa de uma variante e que, aos olhos do monstro, o normal é monstruoso."
25ª Hora / Virgil Gheorghiu
"«A vida nunca tem um fim objectivo, a não ser que assim se chame à morte: todo o fim real e verdadeiro é subjectivo». A Sociedade Técnica Ocidental quer oferecer à vida um fim objectivo. É a melhor maneira de a aniquilar. Reduziram a vida a uma estatística. Mas.: «Toda a estatística deixa escapar o caso único no seu género, e quanto mais a humanidade evolui, tanto mais será a unicidade de cada indivíduo e de cada caso particular que contará». A Sociedade Técnica progride exactamente no sentido inverso: generaliza tudo. «Foi à força de generalizar e de investigar, ou de colocar todos os valores no que é geral, que a humanidade ocidental perdeu todo o sentido dos valores do único, e, por consequência, da existência individual. Dai o imenso perigo do colectivismo, quer seja compreendido à russa ou à americana»."
«»Conde H. De Keyserling
5.12.07
Páteo das Cantigas
Bazel Tov!
F.U. Like Curtis
across the street
Venha daí vizinha
manchemos as toalhas
brancas de vinho
Dançai ao som do acordeão
vinde rapaziada saciai a vossa fome
praça pobre de granito e parras
ao sol
risos dos gaiatos
alegria simples
tarde fora
gerações d'aldeias
todas festejando à uma
numa praça sem limites
miríades de bimbos
saltaricando ao entardecer
soltai foguetes
já se aproximó anoitecer
soltai toiros, soltai mascarados
soltai o juízo, engoli-o com loucura
junto à fogueira
crianças contentes embriagadas
soltai foguetes
Diniz Giz
F.U. Like Curtis
across the street
Venha daí vizinha
manchemos as toalhas
brancas de vinho
Dançai ao som do acordeão
vinde rapaziada saciai a vossa fome
praça pobre de granito e parras
ao sol
risos dos gaiatos
alegria simples
tarde fora
gerações d'aldeias
todas festejando à uma
numa praça sem limites
miríades de bimbos
saltaricando ao entardecer
soltai foguetes
já se aproximó anoitecer
soltai toiros, soltai mascarados
soltai o juízo, engoli-o com loucura
junto à fogueira
crianças contentes embriagadas
soltai foguetes
Diniz Giz
Inícios
Adora a indefinição dos inícios
a emoção de não saber o que
se ganha ou que
se perde
o sol e a lua desfocados
na mesma tela
bruma de ideias primordiais
confundind'o presente
carregando todos os horizontes
de luz temblorosa
e amistosa
que tudo faz brilhar como
se tudo fosse bom
Lúcia
a emoção de não saber o que
se ganha ou que
se perde
o sol e a lua desfocados
na mesma tela
bruma de ideias primordiais
confundind'o presente
carregando todos os horizontes
de luz temblorosa
e amistosa
que tudo faz brilhar como
se tudo fosse bom
Lúcia
Paredes
Cantos de paredes
Grossos de reboco
espesso e branco
tradicional e tosco
conduzind'as nossas vidas
com curvas, planos e quinas
através dos anos e dias
branc'azul, branc'amarelo
branco verde, branco branco
Carlos Marques
Grossos de reboco
espesso e branco
tradicional e tosco
conduzind'as nossas vidas
com curvas, planos e quinas
através dos anos e dias
branc'azul, branc'amarelo
branco verde, branco branco
Carlos Marques
3.12.07
Dans la Bonbonnière
Todo momento foi cunhado
com o selo branco da fatalidade.
Bastava a sua presença
para nos agoniarmos na vertigem
da imponente e fria
penha da moralidade.
Temor permanente temor
de sermos destrinçados pelo seu olhar
e em vez de luz
mergulharmos nas trevas.
Poupa-me das tuas revelações.
Prefiro ignorar o poço e o pêndulo
vaguear nas escuridões.
Sirvam-me a aconitina
dans la bonbonnière.
Lúcio Ferro
PS: toma lá bombons
com o selo branco da fatalidade.
Bastava a sua presença
para nos agoniarmos na vertigem
da imponente e fria
penha da moralidade.
Temor permanente temor
de sermos destrinçados pelo seu olhar
e em vez de luz
mergulharmos nas trevas.
Poupa-me das tuas revelações.
Prefiro ignorar o poço e o pêndulo
vaguear nas escuridões.
Sirvam-me a aconitina
dans la bonbonnière.
Lúcio Ferro
PS: toma lá bombons
Sopros
Sopros sonoros arrastados,
eles chegaram de novo,
almas mortas do outro mundo,
enchem de calma as tardes de verão.
Enchem o parque de melancolia,
movem-se sem se mover,
sons de mel e fantasia,
olhos baços, curvas de mulher.
Sobem seus halos mais alto no céu,
estamos vencidos deitados na relva,
contemplando extasiados,
os seus lamentos de madrugada.
Lúcia
eles chegaram de novo,
almas mortas do outro mundo,
enchem de calma as tardes de verão.
Enchem o parque de melancolia,
movem-se sem se mover,
sons de mel e fantasia,
olhos baços, curvas de mulher.
Sobem seus halos mais alto no céu,
estamos vencidos deitados na relva,
contemplando extasiados,
os seus lamentos de madrugada.
Lúcia
Tzigane
Tangos russos gogolianos,
vodka marinheira em coxa argentina,
fados toureiros vitoriosos,
cornetas na noite mourisca.
Narguilhés de tempos imemoriais,
tarimbas soam internacionais,
danço o mundo apaixonado,
pelos portos abandonados.
O mar é minha cama,
solidão da estepe calma africana,
encantador de serpentes insegurança,
incenso e cheiro a barro.
Violinos ciganos à fogueira,
vagabundo no sangue irrequieto,
lágrimas sorvidas terra sedenta,
morrerei na terra infinita.
Zé Chove
vodka marinheira em coxa argentina,
fados toureiros vitoriosos,
cornetas na noite mourisca.
Narguilhés de tempos imemoriais,
tarimbas soam internacionais,
danço o mundo apaixonado,
pelos portos abandonados.
O mar é minha cama,
solidão da estepe calma africana,
encantador de serpentes insegurança,
incenso e cheiro a barro.
Violinos ciganos à fogueira,
vagabundo no sangue irrequieto,
lágrimas sorvidas terra sedenta,
morrerei na terra infinita.
Zé Chove
23.11.07
Fuel my Fire
cuspo fogo
lambo o aço
olhos fumegantes
músculos de pedra
esmago arranco
destrói e moi e mata
preto fogo fumo negro
óleo, calor e sangue
lago azul desiludido
sol morto no peito
cinzas de morte no meu leito
grito amargo perdido
lâminas na carne
rodas cerebrais
luzes psicadélicas
paixões pontuais
fogo bebido
sofreguidão na garganta
aço azul nas veias
poder embrutecido
choque metálico
licor de dor
culpa amarga
doces prazeres
triste passado
loucos momentos
trémulos gemidos
choros fingidos
afogado no mel
chuveiros ácidos
cheiros intensos
sensuais sombras de carne
dentadas de fuligem
brasas no pescoço
roxo de novo
frio e cansado
lascivo
Zé Chove
lambo o aço
olhos fumegantes
músculos de pedra
esmago arranco
destrói e moi e mata
preto fogo fumo negro
óleo, calor e sangue
lago azul desiludido
sol morto no peito
cinzas de morte no meu leito
grito amargo perdido
lâminas na carne
rodas cerebrais
luzes psicadélicas
paixões pontuais
fogo bebido
sofreguidão na garganta
aço azul nas veias
poder embrutecido
choque metálico
licor de dor
culpa amarga
doces prazeres
triste passado
loucos momentos
trémulos gemidos
choros fingidos
afogado no mel
chuveiros ácidos
cheiros intensos
sensuais sombras de carne
dentadas de fuligem
brasas no pescoço
roxo de novo
frio e cansado
lascivo
Zé Chove
19.11.07
Arroios 83
Saltou a rede eléctrico,
com estardalhaço nos latões de lixo,
o beco escuro chiou,
ratos, baratas, gatos de olhar fixo.
Abriu as traseiras do bar adormecido,
halogénio reflectido no rançoso azulejo.
Chapada no estanho álcool despedido,
o espírito de verdade benfazejo.
O fogo escorregou na traqueia,
a loucura subiu há cabeleira.
Velhos comparsas em cabedal,
olhos semicerrados, filmes alemães,
um velhinho a dançar balcãs,
mais uma bezana para o historial.
Zé Chove
com estardalhaço nos latões de lixo,
o beco escuro chiou,
ratos, baratas, gatos de olhar fixo.
Abriu as traseiras do bar adormecido,
halogénio reflectido no rançoso azulejo.
Chapada no estanho álcool despedido,
o espírito de verdade benfazejo.
O fogo escorregou na traqueia,
a loucura subiu há cabeleira.
Velhos comparsas em cabedal,
olhos semicerrados, filmes alemães,
um velhinho a dançar balcãs,
mais uma bezana para o historial.
Zé Chove
16.11.07
Requiem Officium Defunctorum
Aleksandr Isaevič Solženicyn - Gulag
"Ah, se as coisas fossem assim tão simples! Se num dado lugar houvesse pessoas de alma negra, tramando maldosamente negros desígnios e se se tratasse somente de diferenciá-las das restantes e de aniquilá-las! Mas a linha que separa o bem do mal atravessa o coração de cada pessoa. E quem destrói um pedaço do seu coração?..."
Selma Lagerlöf - O Cocheiro da Morte
"Continuou sentado na cadeira, sentindo-se infinitamente velho. Tornara-se paciente e submisso como acontece aos velhos. Não se atrevia a esperar nada nem a desjar nada; contentava-se em juntar as mãos e pronunciar em voz baixa a oração do cocheiro:
- Senhor Deus, permite que a minha alma alcance a maturidade antes de ser ceifada."
Georges Bernanos - Diário de um Pároco de Aldeia
"O pecado contra a esperança - o mais mortal de todos, e talvez o mais bem acolhido, o mais acarinhado. É preciso muito tempo para o reconhecer, e a tristeza que o anuncia, que o precede, é tão doce! É o mais rico dos elixires do demónio, a sua ambrosia. Porque a angústia...
(a página foi rasgada.)"
Anthologia de Textículos #2
"Ah, se as coisas fossem assim tão simples! Se num dado lugar houvesse pessoas de alma negra, tramando maldosamente negros desígnios e se se tratasse somente de diferenciá-las das restantes e de aniquilá-las! Mas a linha que separa o bem do mal atravessa o coração de cada pessoa. E quem destrói um pedaço do seu coração?..."
Selma Lagerlöf - O Cocheiro da Morte
"Continuou sentado na cadeira, sentindo-se infinitamente velho. Tornara-se paciente e submisso como acontece aos velhos. Não se atrevia a esperar nada nem a desjar nada; contentava-se em juntar as mãos e pronunciar em voz baixa a oração do cocheiro:
- Senhor Deus, permite que a minha alma alcance a maturidade antes de ser ceifada."
Georges Bernanos - Diário de um Pároco de Aldeia
"O pecado contra a esperança - o mais mortal de todos, e talvez o mais bem acolhido, o mais acarinhado. É preciso muito tempo para o reconhecer, e a tristeza que o anuncia, que o precede, é tão doce! É o mais rico dos elixires do demónio, a sua ambrosia. Porque a angústia...
(a página foi rasgada.)"
Anthologia de Textículos #2
15.11.07
14.11.07
Estatística #4
Anfetamina
Menina
Purpurina
Bonina
Ocarina
Feminina
Bailarina
Narina
Ferina
Assassina
Sonetina
Cantina
Barretina
Creolina
Mandarina
Tangerina
Cabotina
Madalena Nova
Menina
Purpurina
Bonina
Ocarina
Feminina
Bailarina
Narina
Ferina
Assassina
Sonetina
Cantina
Barretina
Creolina
Mandarina
Tangerina
Cabotina
Madalena Nova
Sobre o sofrimento dos animais
Esfacelaram toda a carne dos seus braços
com uns estilete escreveram dilacerados de raiva
agora não conseguem estacar o sangue
enchorrada aos borbotões
flui pelos tubos do soro
fisiológico esgotado
maca trespassada de dor
almofada suja das mordidelas alucinadas
O pato que deu as penas
sente as dentadas
no seu limbo de animais trucidados
por homens em busca de prazer e lucro
de volta aos frascos de soro
na salinha interior sem luz do sol
as crianças berram
gemem gatinhos esfomeados
Embalada, seu espírito
nos miasmas de desinfectante
dos aquecedores metálicos evolado
Aquecedores Metálicos do Tempo
da guerra e das lutas sangrentas...
Já sonha...
...lentamente afogam-se os gatos
Lúcia
com uns estilete escreveram dilacerados de raiva
agora não conseguem estacar o sangue
enchorrada aos borbotões
flui pelos tubos do soro
fisiológico esgotado
maca trespassada de dor
almofada suja das mordidelas alucinadas
O pato que deu as penas
sente as dentadas
no seu limbo de animais trucidados
por homens em busca de prazer e lucro
de volta aos frascos de soro
na salinha interior sem luz do sol
as crianças berram
gemem gatinhos esfomeados
Embalada, seu espírito
nos miasmas de desinfectante
dos aquecedores metálicos evolado
Aquecedores Metálicos do Tempo
da guerra e das lutas sangrentas...
Já sonha...
...lentamente afogam-se os gatos
Lúcia
Um Homem Interessado
Passava horas na sala de espera da clínica
escutando de soslaio atentíssimo
as inconfidências
das meninas bonitas impacientes
Wilson
PS: Cuidado! Não leia tudo o que lhe vai parar às unhas! Ainda se quilha...
escutando de soslaio atentíssimo
as inconfidências
das meninas bonitas impacientes
Wilson
PS: Cuidado! Não leia tudo o que lhe vai parar às unhas! Ainda se quilha...
Criaturas Transcendentes
Desejas visitar a cigana
ver desvendado o teu futuro
ter um sentido no passado
ardes pela revelação dos anjos
acreditas nos símbolos dos sonhos
atentas na disposição dos astros
Ao mesmo tempo buscas a consolação
na benfeitoria e acalentas todos os teus desejos
Tens pena do cão sem dentes?
Acaricías as criaturas abandonadas?
Nicolau Divan
ver desvendado o teu futuro
ter um sentido no passado
ardes pela revelação dos anjos
acreditas nos símbolos dos sonhos
atentas na disposição dos astros
Ao mesmo tempo buscas a consolação
na benfeitoria e acalentas todos os teus desejos
Tens pena do cão sem dentes?
Acaricías as criaturas abandonadas?
Nicolau Divan
O Homem Insaciável
Oh! Divino taumaturgo
conceda-nos novas combinações de cordas
delicie-nos com novos sons
Desenterre o seu machado de guerra
guie-nos através de novas contendas
alente-nos com vitórias sobre novos inimigos
molde novas vénus
insufle os nossos desejos
delicie-nos até à exaustão
com a doce calda das musas
Lúcio Ferro
conceda-nos novas combinações de cordas
delicie-nos com novos sons
Desenterre o seu machado de guerra
guie-nos através de novas contendas
alente-nos com vitórias sobre novos inimigos
molde novas vénus
insufle os nossos desejos
delicie-nos até à exaustão
com a doce calda das musas
Lúcio Ferro
Paraísos Terrestres
Claro que existem autênticos paraísos terrestres
vidas quentes mornas como piscinas ao sol aquecidas
em climas tropicais
belas mulheres
frondosos manjares
tépidas melodias
drogas leves
sem limites de orçamento
amizades para trás e prá frente
sem sentimentos de ânsia
angústia ou sede
desejo ou fome
tudo se sacia rapidamente
a consciência dorme tranquila
os pés descalços ao sol
semi-deitado despertando
inveja a quem passa
na rua com pressa
Filipe Elites
vidas quentes mornas como piscinas ao sol aquecidas
em climas tropicais
belas mulheres
frondosos manjares
tépidas melodias
drogas leves
sem limites de orçamento
amizades para trás e prá frente
sem sentimentos de ânsia
angústia ou sede
desejo ou fome
tudo se sacia rapidamente
a consciência dorme tranquila
os pés descalços ao sol
semi-deitado despertando
inveja a quem passa
na rua com pressa
Filipe Elites
11.11.07
Anthologia de Textículos #1
Evelyn Waugh – Reviver o passado em Brideshead
“…quando parti e me voltei dentro do carro para ver aquilo que prometia ser a minha última visão da casa, senti que deixava para trás parte de mim mesmo e que, aonde quer que fosse depois, sentiria a sua falta e a procuraria sem esperanças, como dizem que os espíritos fazem, frequentando os locais onde enterraram tesouros materiais sem os quais não podem pagar a viagem para o inferno.”
T. S. Eliot - The Love Song of J. Alfred Prufrock (excerto)
And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.
(Nota: o corpus editorialis não tem paciência para bibliografias
qualquer dúvida telefone para o número 764928 ou 708172)
“…quando parti e me voltei dentro do carro para ver aquilo que prometia ser a minha última visão da casa, senti que deixava para trás parte de mim mesmo e que, aonde quer que fosse depois, sentiria a sua falta e a procuraria sem esperanças, como dizem que os espíritos fazem, frequentando os locais onde enterraram tesouros materiais sem os quais não podem pagar a viagem para o inferno.”
T. S. Eliot - The Love Song of J. Alfred Prufrock (excerto)
And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes;
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate;
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.
(Nota: o corpus editorialis não tem paciência para bibliografias
qualquer dúvida telefone para o número 764928 ou 708172)
Indi(g)nação
Estamos a milhas da guerra
em paralesia-geral
contendas interiores
são punidas pela constituição
perdemos o contacto com as armas
proibimos o esgatanhar dos tigres bebés
chora-mama, borra-limpa
sofre-anestesia, grita-anestesia
anestesia-anestesia
Os funis estão cheios
Os grandes celeiros reais
frascos derramam
de crânios formatados
vomitam febras todas iguais
corpos amansados pelos media
enroscados no morno dos sofás
sob a cúpula do entretenimento
"não papás" não desliguem as máquinas
influxo de vida das vossas crias
Atingimos a glória da nação
erradicámos o escorbuto malsão
e toda a forma de ansiedade
boia afogada a juventude
em poças de água estagnada
Brás
em paralesia-geral
contendas interiores
são punidas pela constituição
perdemos o contacto com as armas
proibimos o esgatanhar dos tigres bebés
chora-mama, borra-limpa
sofre-anestesia, grita-anestesia
anestesia-anestesia
Os funis estão cheios
Os grandes celeiros reais
frascos derramam
de crânios formatados
vomitam febras todas iguais
corpos amansados pelos media
enroscados no morno dos sofás
sob a cúpula do entretenimento
"não papás" não desliguem as máquinas
influxo de vida das vossas crias
Atingimos a glória da nação
erradicámos o escorbuto malsão
e toda a forma de ansiedade
boia afogada a juventude
em poças de água estagnada
Brás
Insónias
O prédio dorme
a luz da lua cala os lampiões
andam nos corredores
solitários
em passos de ladrão
nevoeiro
derramado debaixo das portas
das celas de morfeu
sonolência de horas e horas
"aqui estou eu"
vidrado
de queixo pendente sobre a cidade
gemendo meio-morta
Wilson
a luz da lua cala os lampiões
andam nos corredores
solitários
em passos de ladrão
nevoeiro
derramado debaixo das portas
das celas de morfeu
sonolência de horas e horas
"aqui estou eu"
vidrado
de queixo pendente sobre a cidade
gemendo meio-morta
Wilson
Rodelas de Chouriço
O meu tio roncava como um porco
fazendo tremer o pó dos livros
enroscado como um musaranho
no cadeirão de veludo
A técnica permite que o tempo passe mais rápido.
Basta pensar na Poda Automática
Traços bruscos
tela amarfanhada
tinta-sangue, lágrimas-terbentina
regaço de amor
quadro de vida
Mário Mosca
fazendo tremer o pó dos livros
enroscado como um musaranho
no cadeirão de veludo
A técnica permite que o tempo passe mais rápido.
Basta pensar na Poda Automática
Traços bruscos
tela amarfanhada
tinta-sangue, lágrimas-terbentina
regaço de amor
quadro de vida
Mário Mosca
Domingos
Domingo ao fim da tarde
quando melhor sabe andar na rua
O hiato entre a sonolência de Sábado
e a urgência de segunda
Noutra encarnação
tingia domingos de pijama
vagabundo entre a sala e a cama
Sentem se já os aromas acres
do refogado de segunda-feira
com o vento vou deslizando
afiando a imponência solitária
das universidades e edifícios públicos
enjoados da ressaca.
...............................................................
e lambendo assim o tédio
todas as fachadas de todos os prédios
nos passeios pescoços cortados
artéria a artéria
tendão a tendão
com arames finos
fachos de palhas decepados rente
com toda a raiva exigida
Zé Chove
quando melhor sabe andar na rua
O hiato entre a sonolência de Sábado
e a urgência de segunda
Noutra encarnação
tingia domingos de pijama
vagabundo entre a sala e a cama
Sentem se já os aromas acres
do refogado de segunda-feira
com o vento vou deslizando
afiando a imponência solitária
das universidades e edifícios públicos
enjoados da ressaca.
...............................................................
e lambendo assim o tédio
todas as fachadas de todos os prédios
nos passeios pescoços cortados
artéria a artéria
tendão a tendão
com arames finos
fachos de palhas decepados rente
com toda a raiva exigida
Zé Chove
9.11.07
Devolvidos ao Remetente - P.B.C.
Paredes de betão cinza,
com nuances ferrugentas,
pessoas cabisbaixas moribundas,
ruas negras não aguentas.
Vais chorar em silêncio,
todas as mágoas deste mundo,
à janela arrebentas,
em pranto incontido profundo.
Atrás das nuvens não vês esperança,
lágrimas amargas dolentes,
no teu rosto estão quentes,
na alma cravada uma fria lança.
Desce a noite, morre a gente,
sem um sentido choros lancinantes,
já nada será como d'antes,
chuva morna diluiu as mentes.
Vasco Vides
com nuances ferrugentas,
pessoas cabisbaixas moribundas,
ruas negras não aguentas.
Vais chorar em silêncio,
todas as mágoas deste mundo,
à janela arrebentas,
em pranto incontido profundo.
Atrás das nuvens não vês esperança,
lágrimas amargas dolentes,
no teu rosto estão quentes,
na alma cravada uma fria lança.
Desce a noite, morre a gente,
sem um sentido choros lancinantes,
já nada será como d'antes,
chuva morna diluiu as mentes.
Vasco Vides
Beijos 1/1
Parece que a história se vai repetindo,
vou ficar aqui sentado,
à espera do replay,
dos teus beijos do passado.
Lúcia
vou ficar aqui sentado,
à espera do replay,
dos teus beijos do passado.
Lúcia
Beijos 2/4
À neve, à chuva, sob o sol tórrido,
esperei alegre por teus lábios,
que como dizem os sábios,
voltaram ao seu depósito.
Lúcia
esperei alegre por teus lábios,
que como dizem os sábios,
voltaram ao seu depósito.
Lúcia
Beijos 3/4
Comecei a pensar se não estarias já velha,
levantei-me fraco, cambaleante,
e voltei a sentar-me empurrado,
pela história volteante.
Lúcia
levantei-me fraco, cambaleante,
e voltei a sentar-me empurrado,
pela história volteante.
Lúcia
Beijos 4/4
Chove no meu quarto,
ajoelhado com frio,
desejo o teu regresso,
beijo a marca que deixaste no lençol.
Lúcia
ajoelhado com frio,
desejo o teu regresso,
beijo a marca que deixaste no lençol.
Lúcia
Voltei
Voltei a puxar a fita atrás,
queria rever o teu olhar distraído,
o teu andar de flor de chá,
és o meu filme preferido.
Zé Chove
queria rever o teu olhar distraído,
o teu andar de flor de chá,
és o meu filme preferido.
Zé Chove
7.11.07
Tempus Fugit
Azulejos partidos
Sanitas secas
limos preguiçosos conquistando os mais altos cantos
da casa-de-banho pública
a luz intermitente atrai a traça
no espelho desbotado luz
reflecte o rosto macilento
o bafo execrando
a túnel abandonado
gota a gota coordena a torneira
não chega a acumular o tempo cai pelo ralo
Paulo Ovo
Sanitas secas
limos preguiçosos conquistando os mais altos cantos
da casa-de-banho pública
a luz intermitente atrai a traça
no espelho desbotado luz
reflecte o rosto macilento
o bafo execrando
a túnel abandonado
gota a gota coordena a torneira
não chega a acumular o tempo cai pelo ralo
Paulo Ovo
Não chores minha querida
Ontem houve disparos no Palácio da Justiça
vão prender o teu irmão
não chores minha querida
podemos fugir para Santarém
lá não nos vão encontrar
Chiça – Não vão – Acredita – Não há ninguém – Pára de chorar
– No fim tudo acaba por se arranjar
Vasco Vides
vão prender o teu irmão
não chores minha querida
podemos fugir para Santarém
lá não nos vão encontrar
Chiça – Não vão – Acredita – Não há ninguém – Pára de chorar
– No fim tudo acaba por se arranjar
Vasco Vides
Aditamentos Diferidos #2
“O Profeta Sabuk do alto Egipto esteve 9 dias no ventre do divino crocodilo branco.
Ao 9º dia foi cagado fininho nas margens do Nilo.”
“Experimente Cerelac com leitinho frio e grumos de pó mal misturado.”
"Filhote, quem foi o Sócrates?
Um grande filósofo, avozinha.
Muito bem, netinho."
“Abre-me o teu coração e esvai-te aí no lava-loiças”
“Hey! Puto!
Gostas de mamar pasta dos dentes?
Armas tendas no sofá da sala?
Brincas com Playmobiles no bidé?
Gostas que a empregada te aspire o cabelo com aspirador?”
“Força! Avia-me na tromba! Eu até gosto...”
“Manela! O teu filho anda de novo com as guelras ao léu.”
“Oh, Migalhinha, fecha braguilha.”
“Quem compreenderá a solidão
de mais uma tromba esquecida por todos no metro.”
Cardápio - 3ª feira - Almoço
Entrada
Ovos de Codorniz com fósforos usados
Sopa
Sopinha d'algas d'ria d'Aveiro morna
Soupa de grelo transgénico
Peixe
Solhas na tromba em sangue
Carne
Gelatina de casco de boi au arroz de framboesas
Arroz ensopado de merda de vaca
Sobremesa
Encharcada Alentejana
Bom Apetite
"Caminhava rápido. O frio congelou-me o ranho..."
Meia noite na gasolineira
A floresta sufoca de breu o halogénio...
VA
Ao 9º dia foi cagado fininho nas margens do Nilo.”
“Experimente Cerelac com leitinho frio e grumos de pó mal misturado.”
"Filhote, quem foi o Sócrates?
Um grande filósofo, avozinha.
Muito bem, netinho."
“Abre-me o teu coração e esvai-te aí no lava-loiças”
“Hey! Puto!
Gostas de mamar pasta dos dentes?
Armas tendas no sofá da sala?
Brincas com Playmobiles no bidé?
Gostas que a empregada te aspire o cabelo com aspirador?”
“Força! Avia-me na tromba! Eu até gosto...”
“Manela! O teu filho anda de novo com as guelras ao léu.”
“Oh, Migalhinha, fecha braguilha.”
“Quem compreenderá a solidão
de mais uma tromba esquecida por todos no metro.”
Cardápio - 3ª feira - Almoço
Entrada
Ovos de Codorniz com fósforos usados
Sopa
Sopinha d'algas d'ria d'Aveiro morna
Soupa de grelo transgénico
Peixe
Solhas na tromba em sangue
Carne
Gelatina de casco de boi au arroz de framboesas
Arroz ensopado de merda de vaca
Sobremesa
Encharcada Alentejana
Bom Apetite
"Caminhava rápido. O frio congelou-me o ranho..."
Meia noite na gasolineira
A floresta sufoca de breu o halogénio...
VA
5.11.07
Crucificado
Vento-vai e vento-vem
mar engole e logo sopra
paixão que inflama quem ama
insuflada a pulmão em tensão
cravado entre o céu e a terra
André Istmo
mar engole e logo sopra
paixão que inflama quem ama
insuflada a pulmão em tensão
cravado entre o céu e a terra
André Istmo
Europa
Doces carros de madeira e carne de cavalo
chiam nos ermos
místicos vales afogados em neblinas
em neblinas emergidos
onde monges-oratórios alcantilados
repletos de juventude bradam as Laudes
Derramas com jeitinho mais fumo no panorama
fábricas fumam em Tróia
escondidos mortiços
grandes caldeiras explodem
em lofts abandonados
ao passo que o cavalo pasta solitário
no estádio vazio em Sábados
de nevoeiro
Huuuuuuuuuummm boa!
Toda a Europa vazia!
Sim.......Venham Felisteus
Venham Vândalos e Tártaros
Cabem todos salafrários
hordas de Malaquias e Iosafats
banhem-se 7 vezes no Douro
Arrepanhem-me a pele toda das costas
não hesitem
cortem-na com um X-acto
bem rente às costelas
e atirem os bifes
aos linces da Malcata.
Lúcio Ferro
chiam nos ermos
místicos vales afogados em neblinas
em neblinas emergidos
onde monges-oratórios alcantilados
repletos de juventude bradam as Laudes
Derramas com jeitinho mais fumo no panorama
fábricas fumam em Tróia
escondidos mortiços
grandes caldeiras explodem
em lofts abandonados
ao passo que o cavalo pasta solitário
no estádio vazio em Sábados
de nevoeiro
Huuuuuuuuuummm boa!
Toda a Europa vazia!
Sim.......Venham Felisteus
Venham Vândalos e Tártaros
Cabem todos salafrários
hordas de Malaquias e Iosafats
banhem-se 7 vezes no Douro
Arrepanhem-me a pele toda das costas
não hesitem
cortem-na com um X-acto
bem rente às costelas
e atirem os bifes
aos linces da Malcata.
Lúcio Ferro
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Convento dos Capuchos
palmas das mãos nestas pedras de musgo afago o teu fôlego neste claustro oh Deus do fresco da capela me arrepia o teu sopro do teu cla...
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palmas das mãos nestas pedras de musgo afago o teu fôlego neste claustro oh Deus do fresco da capela me arrepia o teu sopro do teu cla...
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Esplende a manhã no clarim de ouro Na batalha quiasmo Figura composta de uma dupla antítese cujos termos se cruzam: É preciso comer para v...










